O emocional está presente em uma disputa política. Sempre foi assim. Inclusive no período em que se colocavam frente a frente udenistas e peessedistas, ladeado por petebistas. Época em que, também, a eleição era personalizada. Votava-se, como agora, para o candidato, não para o partido. Pouquíssimos eram os votos que tinham a sigla como norteadora. Da mesma forma que ocorre hoje. Ainda que se tenha, a partir deste ano, a obrigatoriedade de cada candidato, à chefia do Executivo, registrar seu programa de governo. Medida interessante. Não só pelo lado organizacional e de planejamento. Mas, igualmente, pela possibilidade que o eleitor tem de ler e analisar o que está registrado.
Exigência da própria necessidade do ato de escolha. Acontece, porém, que é baixíssima a procura por tal “informação” no site do TSE. As pessoas preferem acompanhar o que dizem os postulantes. Estes, pelo seu turno, passam a fazer as mais diversas promessas. Independentemente se tais promessas estão ou não contempladas no documento registrado na Justiça Eleitoral. O que demonstra ausência do respeitar e, o que é pior, falta do planejar. Verbos imprescindíveis. Quando conjugados corretamente fazem a diferença em uma administração pública.
Ao contrário do que se vê nos discursos das candidaturas ao governo do Estado de Mato Grosso. O socialista-empresário, por exemplo, registrou um programa, porém não é esse que ele leva para sua campanha. Optou-se por defender aquilo que acha conveniente para o momento, até mesmo em função do que prometem seus concorrentes.
Mais habilidoso com as palavras sem conteúdos, à moda gorgiana, e escorregadio como ninguém, o ex-prefeito cuiabano anuncia uma “salada mista”, misturando promessas que a disputa exige com meia dúzia de propostas que registrara no TRE-MT.
Ao contrário do representante do PSOL. Este, na imensa maioria das vezes, se perde todo, quando não tropeça nas próprias palavras. E olhe que o documento registrado não excede a três páginas. Mas lhe falta o dom de decorar. Arte, o da decoreba, que faz parte da rotina de campanha do tucano e do socialista, os quais só fazem questão de repetir o diagnóstico do governo. Não todo o diagnóstico. Mas somente os trechos que lhes são mais convenientes, deixando de fora os avanços da então administração.
Já o peemedebista possui o melhor programa de governo. É o mais completo. Porém, o candidato a reeleição não o explora como deveria. Prefere se dedicar um tempão para discorrer sobre as ações em andamento, deixando de lado o seu complemento, que, na verdade, é o conjunto de suas propostas, registradas no último dia 5 de julho.
Justifica-se, portanto, no seu programa de governo, a aplicação do ampliar, acelerar e prosseguir. Pois tais verbos têm significados específicos e bem definidos. Pois ninguém amplia algo que ainda nem sequer se iniciou, muito menos acelera ou prossegue com uma dada ação inexistente. Até mesmo o mudar carece dessa existência. Isso porque mudança alguma parte do zero.
Nesse sentido, vale repetir, o eleitor precisa desviar o seu olhar do que dizem os candidatos para os programas registrados no TRE-MT. Leitura sempre acompanhada da reflexão e da avaliação. Afinal, não é só a emoção que sustenta uma disputa.
Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail:
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Deitado na rede, após o almoço, estava naquele limbo entre o sono e um vago estado de vigília. Acima dele, a copa densa da árvore não conseguia filtrar todo o mormaço do dia.
As ramificações, do tronco para os galhos maiores, dos galhos maiores para os menores, e destes para outros raminhos minúsculos, despertou nele um paralelo com a própria vida. Refletia em como uma decisão, num dado ponto do tempo, faz o destino ir pra um lado ou pra outro completamente diverso. Os galhos maiores seriam as escolhas cruciais, que determinam os rumos mais importantes. Os menores, as conseqüências que deles derivam. Um esbarrão em alguém no supermercado e pronto - uma série de acontecimentos aparentemente banais vão se encadeando. E aquela garota na gôndola de cosméticos acaba mãe dos seus filhos.
Espantou uma mosca, se ajeitou melhor na rede e se pôs a pensar no que poderia ter sido e não foi. Feliz ou infelizmente.
Possibilidade 1: ao invés de sair de casa pra cursar Economia, ele fica morando lá mesmo. Lá, naquele fim de mundo onde nunca ninguém merecia ter nascido. Amarga um emprego no banco, depois abre uma loja de ferragens - que se transforma em disk comida árabe, franquia dos Correios e distribuidora de água mineral. Vai levando como pode e toma umas duas ou três todo final de tarde. Gosta de carros antigos, joga futebol de botão sozinho e será candidato outra vez a vereador. Não nega que deve, muito e a muita gente. Mas diz que paga quando puder.
Possibilidade 2: seguindo uma inclinação de infância, ele vai para o seminário em 1978. A avó exulta de alegria: que benção um sacerdote na família! Excessos no genuflexório o obrigam a uma operação no menisco do joelho esquerdo, três anos depois. Recuperado, abandona a vocação religiosa. Presta um concurso na antiga Light, e passa em sexto lugar. Solteirão, mora em onze cidades diferentes. Aposentou-se o ano passado e hoje toca uma pousadinha em Guarapari.
Possibilidade 3: sua cega paixão pelo The Doors o leva, um dia, ao túmulo do Jim Morrison em Paris. No vôo de volta ao Brasil, senta-se ao lado de um enólogo da Real Companhia Velha, fabricante secular de vinho do Porto, em viagem ao Rio para visitar parentes. Bastam dez minutos para que se tornem amigos de infância. Trocam cartões e se despedem no aeroporto. O distraído lusitano deixa cair a carteira, bem recheada. Ele liga para o enólogo, dizendo que está com ela. A recompensa não tarda: um emprego em Portugal. "Aceitas, ó pá? Morarás numa linda quinta, serás meu braço direito e não terás despesa alguma". Ele topa. Conhece uma rapariga e, pouco tempo mais tarde, enche a quinta de miúdos (crianças, no português de Portugal). Todos os anos, nas férias, ele vai para o Brasil. Fátima, a esposa, fica. Para cuidar dos meninos e degustar o enólogo.
Possibilidade 4: Aquele galho (sem trocadilhos) dos tempos de colégio vira namoro e depois casamento. O que seria terrível: a Gracinha ficou gorda e (mais uma vez, sem trocadilhos) perdeu completamente a graça. Sem falar nos cinco meninos que ela teve. Tá certo que se casou com um crente, que não admitia anticoncepcional. Casada com ele, talvez tivesse um filho só, continuasse o balé no conservatório e mantivesse, ainda por uma boa década, toda aquela saúde que fez sua fama na cidade e adjacências. É, podia ser. Podia, só que não foi assim. Vamos pra próxima.
Possibilidade 5 (tão bem-arranjada quanto inverossímil): as dezenas 02 - 15 - 16 - 34 - 38 - 49 , a mesma fezinha que fazia há anos, finalmente sairiam numa Sena Acumulada. A bolada seria grande e todinha dele. Ganharia mundo e poderia muito bem estar agora numa tabacaria em Gênova. No lobby de um hotel em Bruxelas. Caminhando por Beirute e ouvindo Mozart no disc-man. Ou então, já desapegado do dinheiro, aprendendo meditação em Nova Dheli. Poderia estar em qualquer lugar. Menos ali, às quinze pra uma da tarde, olhando feito bobo para a copa de um flamboyant.
Possibilidade 6...
Policial Civil Aposentado, Pettersen Filho mantêm-se associado ao Sindipol – Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Espírito Santo, de quem sofre um desconto em Folha de Pagamento de um percentual dos seus proventos, em favor da Classe Policial, quer queiram, quer não queiram, apelo ultimo, recurso derradeiro do Cidadão, quando tudo mais falha, Saúde, Educação e Segurança, num recurso instintivo, quando agredido ou roubado, claramente estampado na frase: “Socorro Polícia – Pega Ladrão”
Contudo, mexendo com a Vaidade e Brutalidade, somente possíveis, no Reino Animal, ao “Ser Humano”, Matéria Prima farta, na Sociedade Brasileira, tão Injusta e Desigual, cabe a Polícia, efetivamente, em ultima instância, recolher o “Lixo” da Rua, quando se omite toda a Sociedade, embora que, é também, Costume Tupiniquim, o falso entendimento de que a Polícia só é boa contra os outros, nunca, sendo, quando é contra um de nós, eventualmente, se colhidos em delito flagrancial.
Mera Celeuma, “Conceito”, qualquer que se tenha, cada um de nós, a cerca da “Polícia”, o certo é que Pettersen Filho, ao recolher a “Contribuição” Sindical, todos os meses, em favor do Sindipol, passa a ostentar o Direito de ver-se protegido, Social e Individualmente, cabendo ao Sindicato, como cabe ao Plano de Saúde, por exemplo, quando enfermo o Paciente, a plena assistência, no caso do Sindipol, quem assume todos os ônus, de Constituir Advogado e Representar o Associado na Justiça.
Não sendo esse, contudo, o entendimento do Senhor Esio Cavalcante, Escrivão de Polícia Civil, há muito tempo distante da realidade cartorária adversa, reinante, nas Delegacias de Polícia Civil, onde falta ao Escrivão, desde tinta de caneta, até papel de impressão, além de ter, muitas vezes, de compartilhar as chaves do seu Cartório, onde goza de Fé Pública e é o Fiel Depositário dos Processos e Bens Apreendidos, com o Delegado de Polícia, ou outros Servidores, o que não é o caso do Senhor Esio, protegido, ora, no conforto, distante, da Representação Sindical que faz junto a AEPES – Associação dos Escrivães de Polícia Civil do Estado do Espírito Santo, entidade totalmente alheia ao Policial Civil Aposentado, Pettersen Filho, obviamente, ele, Pettersen, Não-escrivão de Polícia, que não contribui em nada para a Aepes, mas de quem recebeu um insólito E-mail, com tal “Parecer”, Decisão – do Senhor Esio Cavalcante, relativo a um Processo de Execução Fiscal, que versa a Justiça Federal contra os interesses do Associado do Sindipol, Pettersen Filho. (Matéria já tratada aqui, no Link http://www.abdic.org.br/taxa_de_marinha.htm )
Há muito tempo à frente da tal “Entidade”, Aepes, também objeto de Processo por Obrigação de Fazer, que Pettersen acaba de impor contra o Sindipol, Instituição a que pertence, fazendo-o por alegada Negligência e Omissão, quanto a sua Defesa, diga-se de passagem, uma Obrigação Estatutária do Sindicato, o Senhor Esio Cavalcante, uma espécie amorfa de “Duce”, em muito lembrando a Figura Fascista do Caudilho Italiano, Benito Mussolini, com mãos de ferro gerindo os supostos interesses dos Escrivães, agora, na nova Gestão do Sindipol, sob a Presidência Submissa do Novo Presidente , Williams Bigu, quem verdadeiramente, parece, mandar e dispor no Sindipol, ostentando, em acumulo de incumbências na Aespes, o Cargo de Diretor Financeiro do Sindipol, muito claramente, importou as más praticas que opera, na Aepes, para o Sindipol, nesse caso, trazendo a Insegurança Jurídica para o Órgão, razão de estar sendo, ele, Esio Cavalcante, juntamente com a Aepes, de onde, teve a petulância, “Despachou” em desfavor de Pettersen Filho, via E-mais Institucional, da própria Aepes,
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, cujo conteúdo, apenas por respeito ao Leitor, transcrevemos em parte “...Os sócios do sindicato não são obrigados a bancar despesas de problemas particulares, mesmo assim voce está sendo beneficiado com o atednimento gratuito de advogado....”, tratada como Latifúndio Seu, também, agora, querendo sitiar o Sindipol, contra o que nos rebelamos, inclusive, peticionando, meio que a contra-gosto, na Justiça, com Obrigação de Fazer, relativo ao próprio Sindipol, quem deve arcar com a Defesa, Custos e Incumbências, em atendimento aos legítimos interesses de Pettersen.
Duplamente Injustiçado, por sofrer, em razão da Casa onde mora Execução Fiscal por supostas Taxas de Marinha, indevidas, já que o Imóvel consta ser no nome da sua Mãe, mas, de Posse e Usufruto de Pettersen, a Justiça Federal, agora impulsionada pela sanha do Senhor Esio Cavalcante, fez a Citação por Edital, e promove a Execução na Comarca de Belo Horizonte/MG, onde não está localizado o Imóvel, nem moram, tanto Pettersen Filho, quanto a sua Genitora, a despeito, pasmem, de ter Isenção, quanto a referida Taxa, concedida, pelo menos, nos últimos cinco anos, mas, ainda assim, objeto de Execução, em que já figuram nos autos Advogado do Sindipol, que agora, quer, o Senhor Esio, cobrar por tal Representação, e Despesas, absolutamente contrário a Norma Estatutária.
Homem de Caráter Nebuloso, totalmente devotado à Mantença do “Pode-pelo-Poderr”, para que fique, e permaneça, sempre a sombra, na Aepes e no Sindipol, instituições que passa a por em risco, de que arquem com elevadas cifras indenizatórias, uma vez comprovando-se a Negligência, quanto a Pettersen, enquanto os verdadeiros “Colegas”, termo que não ouso utilizar em razão do Senhor Esio Cavalcante, verdadeiramente, trabalham, certa feita, todos na Polícia Civil sabem disso, ao apoiar um determinado Candidato na Sucessão de outro Órgão Classista Policial, tendo como concorrente adverso o Policial Civil Jânio, o Senhor Esio Cavalcante, demonstrando muito bem a sua “Estirpe”, teve a “Honradez” de fazer-se passar por um Denunciante Anônimo, teria postado uma correspondência contra o Policial, alegando que estaria ligado ao Roubo de Cargas, muito embora sabendo que Jânio havia sido inocentado, após o Devido Processo Legal.
Então, que me perdoem os demais Leitores, totalmente estranhos ao Tema ora em debate, Não-policiais, como eu, Não-devedor da Receita Federal, Não-escrivão, Categoria que, infelizmente, sou obrigado a indagar na Justiça com Ação Reparadora, é isso que ocorre quando a Roupa Suja não é Lavada em Casa.
Analisar o jogo político-eleitoral é sempre uma tarefa instigante e compensadora. Tarefa que requer, sobremaneira, a independência. Mesmo que não seja neutro, pois a neutralidade, na prática, inexiste. Mas o ser independente, ainda que pareça contraditório diante da frase anterior, é possível. Pois o é princípio imprescindível. Embora se saiba de muitas avaliações comprometidas com um ou outro grupo político.
Aliás, vale repetir a opinião popular corrente, uma porção dos veículos de comunicação, blogs e sites está presa a interesse “A”, “B” ou “C”. Até mesmo por vínculo empresarial ou comercial.
Explica-se, portanto, porque determinadas análises, apesar de boas, não recebem igual tratamento atribuído a outras tantas, cuja qualidade é duvidosa. Mas seus autores, os das últimas, ganham espaços consideráveis, e, talvez por conta disso, têm maior possibilidade de “fazer a cabeça” de centenas ou, certamente, de milhares de radiouvintes, telespectadores e leitores.
No final das contas, perdem-se todos. Inclusive a democracia, a qual não se encorpa em terreno onde falta a pluralidade. Inexistência que afasta a crítica e, por outro lado, engrossa o endeusamento de determinados atores. A tal ponto que as ações negativas desses personagens “jamais” podem ser apuradas ou avaliadas.
Caso alguém desrespeite esse “preceito”, logo esse mesmo alguém é identificado como ligado à determinada sigla partidária. Ainda que não seja ou, sequer, tenha sonhado em sê-lo.
Prevalece, aqui, a acusação, o estigma e o achismo. Não o valor da crítica. Pois quem o acusa, de pertencer a uma ou outra agremiação, não se ateve as idéias contidas nos depoimentos ou textos. Talvez porque não saiba da importância de se ter o contraponto. Certamente porque advoga que a democracia deva ser um processo enraizado na uniformidade, e, pior ainda, o ponto alto do debate é o momento da desqualificação do interlocutor.
Equívocos bastantes presentes no cenário regional e nacional. Principalmente porque não se está habituado à esgrima, a discussão. Até mesmo pela ausência de argumentos, de conhecimento para contrapor com as críticas contrárias que são registradas, ou porque já se acostumou com a prática de desqualificação do interlocutor. Bastante utilizada em muitos dos sindicatos e centrais sindicais, e, destes, estendidas aos partidos políticos.
Explica-se, infelizmente, a proliferação do bate-boca. Por conta disso, as cisões partidárias, as quais muitas vezes levam a derrotas nas urnas. A literatura especializada é rica nesse aspecto.
A despeito disso, vale a pena se debruçar sobre o jogo político. Descobrir e identificar suas mazelas, situações pitorescas e, principalmente, como se dão ou ocorrem às amarrações, alianças e, por fim, as disputas. Ainda que não se tenha tanto espaços da mídia para publicá-las, divulgá-las ou veiculá-las. Vale, aqui, a necessidade de não ser uma “Maria vai com as outras”, e contribuir para que dezenas ou, talvez, milhares, também não sejam, apesar da censura velada e sutil em que é submetido.
Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail:
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Para saber se o tempo mudou
Se as coisas continuam as mesmas
Se ainda existe esperança
Ou se tenho medo do tempo
A vida que nos cabe sem sentido
O dia que nos leva por levar
Ninguém tem interesse de nada
A menos que seu nada seja prior
A porta que permanece trancada
A janela no meio fio sem vento
O barulho da rua lá fora
Um grito ou um assovio
Sei lá pode ser crianças
Adultos querendo disfarçar
Seu que ainda ouço o pássaro
Que se quer um dia deixa de chegar
De dentro eu respondo, não sei posso estar ate mesmo
No mesmo linguajar.
Sei que é oculto por entre as folhas sei que ele esta lá.
Ninguém bate a minha porta seja só pra perguntar.
Visita pra que se temos tantas outras coisas pra cuidar.
Que seja belo cada dia mesmo que eu não possa olhar
Amanha terei sua visita, quem sabe!
Assim poderá mês contar.